No caminho entre a chegada e a partida da nossa existência, o modo como “caminhamos” é decisivo. As condições do caminho, quem nos acompanha, e se acompanha, as opções que reconhecemos, as que temos e que afirmamos, são essas, entre inúmeras outras condicionantes, que determinarão o modo como este caminho único, porque é nosso e intransmissível, se realizará.

São as escolhas que determinam o rumo e o destino, já diz o ditado “de que vale o vento estar de feição se não sabes para onde vais”. É imperativo apostar no rumo. Mesmo não o sabendo certo à partida, a aposta é necessária, só depois se confirmará se acertada ou não. Esta é a nossa condição, a de não saber à priori, a de ir sabendo, confirmando ou não as opções.

Somos responsáveis pela vida que levamos, somos responsáveis pela nossa, como pela dos outros. Sim, também a dos outros, pois estamos intrinsecamente ligados, o problema é que tais competências afetivo-emocionais não são inatas, mas adquiridas e apreendidas. Elas são o resultado de uma conquista, a de nos tornarmos mais maduros e cientes do que fazer com o que experimentamos uns com os outros.

Neste caminho que é a vida, vão surgindo vários obstáculos, imprevistos, dificuldades, desvios, interrupções, acontecimentos que na sua grande maioria escapam ao nosso controlo.

Ser responsável e descobrir-se como tal, é perceber-se coexistente em liberdade partilhada como todos os outros. Esta descoberta, a de se perceber e experimentar livre na relação consigo, com os outros e com o mundo, é uma descoberta que decorre de um percurso de maturidade relacional, e não de algo que esteja pronto.

Vítor Fragoso, psicólogo clínico e psicoterapeuta, autor de vários livros e publicações no âmbito do Envelhecimento e Educação Emocional.

Fonte: https://www.draft-worldmagazine.com/post/a-experiencia-de-estar-vivo